História do Aquário Vasco da Gama

O Aquário Vasco da Gama foi inaugurado a 20 de Maio de 1898, numa cerimónia de grande impacto público, na presença da Família Real e numerosas individualidades da época. Foi um dos primeiros aquários no mundo, sendo a sua construção ordenada pela Comissão Executiva da celebração do 4º Centenário da partida de Vasco da Gama para a viagem do descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia. 

Na altura da inauguração o Rei D.Carlos, cuja influência havia sido determinante para a edificação do Aquário, realizou numa das suas salas uma exposição com o material zoológico por ele recolhido nas campanhas oceanográficas de 1896 e 1897. 

Findas as festas das comemorações, ficou o Aquário sendo propriedade do Estado. Em Fevereiro de 1901, a sua administração foi entregue à Marinha, onde permanece até hoje como organismo cultural.

Em Julho de 1909, a administração e orientação técnica do Aquário foi entregue à Direcção da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, que se empenhou em recuperar as suas instalações, já então bastante degradadas e em transformá-lo numa Estação Biológica. Durante os nove anos de gerência daquela Sociedade, o Aquário sofreu forte incremento, tendo a sua exposição atingido nível relevante.

Em 1919 o Aquário Vasco da Gama é reorganizado, passando a designar-se Aquário Vasco da Gama – Estação de Biologia Marítima, entidade com autonomia científica e administrativa. Neste período realizaram-se várias investigações, com particular incidência no estudo e exploração do mar.

Em 1935, a Liga Naval Portuguesa doou ao Aquário Vasco da Gama, por escritura pública notarial, a Colecção Oceanográfica D.Carlos I e respectiva Biblioteca. Desde então o Aquário Vasco da Gama tem sido responsável pela preservação deste precioso legado, parcialmente em exposição permanente nas salas de exposição do Museu. A parte restante da Colecção mantém-se reservada, mas disponível para a consulta a efectuar por especialistas, com vista à realização de estudos científicos.

Em 1940, o edifício e o terreno pertencente ao aquário foi reduzido em cerca de 1/3 da sua área primitiva, por motivo da construção da estrada marginal Lisboa-Cascais. Este acontecimento, que provocou uma crise no funcionamento da instituição, acabou por conduzir à separação do Aquário da Estação de Biologia Marítima, ficando esta como organismo de investigação científica e o Aquário destinado à exibição de animais aquáticos com objectivos didácticos e de divulgação.

A partir de 1950, altura em que se verifica a cisão dos dois organismos, empreendeu-se um trabalho de recuperação e restauro das instalações, bem como a construção de novos aquários, trabalho que teve continuidade nas décadas seguintes. Durante os anos seguintes realizaram-se obras de ampliação no edifício, que permitiram alargar a área de exposição do Museu e instalar condignamente os serviços técnicos e administrativos. 

Destacam-se ainda as obras de construção de um pavilhão destinado à exposição de focas e otárias em 1971 e a remodelação dos aquários e respectivas galerias de exposição durante os anos 80

Já na década de 90 prosseguiram as obras de beneficiação dos aquários e de todo o sistema informativo da exposição. Durante os últimos anos, aproveitando as novas tecnologias de informação, foram desenvolvidos alguns projectos de carácter marcadamente pedagógico que registaram grande sucesso junto do público. Desta forma foi possível valorizar significativamente o conteúdo informativo da exposição permanente, explorando complementarmente outras formas de transmitir conhecimento, fundamentalmente através da criação do site na Internet.

Com o virar do milénio, o AVG beneficiou de um conjunto de obras de ampliação, que incluíram a construção de um auditório e uma cafetaria com esplanada. O novo núcleo encontra-se ligado à sala das otárias e inclui dois pisos, sendo o térreo destinado às áreas de serviço e o superior às actividades de utilização pública.

O Auditório, um espaço polivalente que permite a realização de eventos de natureza diversa, torna possível a organização de exposições temporárias, desenvolvendo diversos temas no âmbito da Biologia Aquática ou alargando os temas a outras áreas culturais, nomeadamente no campo das Artes.

Actualmente o Aquário Vasco da Gama é fundamentalmente uma instituição didáctica, um centro de divulgação da Vida Aquática e de investigação. Tem vindo a sofrer ao longo do tempo várias transformações, no sentido de melhorar cada vez mais a exposição dos exemplares vivos e do espólio museológico, procurando cumprir da melhor forma possível o seu importante papel de Museu Vivo de História Natural.