Marinha Mercante

As companhias de navegação portuguesas nasceram no final do século XIX, impulsionadas pela massificação da máquina a vapor, vivendo o seu apogeu e declínio no século XX.

As primeiras grandes companhias de navegação nascem em Portugal no século XIX. No início do século XX, apenas duas - a Empresa Insulana de Navegação e a Empresa Nacional de Navegação subsistem, dividindo entre si a posse de uma pequena frota mercante.

Com a I Guerra Mundial, o apresamento de navios alemães refugiados nos nossos portos, propicia o aumento da vitalidade deste sector. No período pós-guerra são constituídas duas das mais importantes companhias - a Sociedade Geral e a Companhia Colonial de Navegação, presidindo à sua criação o propósito de estabelecer ligações regulares entre Portugal e as suas possessões Ultramarinas. No entanto, entre as duas Guerras Mundiais, a frota mercante portuguesa era, ainda obsoleta e desactualizada.

 No período da II Guerra Mundial, as companhias de navegação veem-se confrontadas com sérias dificuldades de abastecimento e com a necessidade de transportar um grande número de refugiados. As numerosas viagens efectuadas durante esse período, vão permitir um grande aumento de capital e a aquisição de novas unidades.

Em 1945, através do célebre Despacho 100 do Almirante Américo Thomaz preconiza-se a construção de várias unidades e prevê-se que 60% das necessidades de transporte sejam supridas por navios portugueses. Na década de 50 inicia-se a renovação da frota mercante com a aquisição dos paquetes "Niassa", "Uíge", "Vera Cruz" e "Santa Maria".

O apogeu das companhias de navegação portuguesas, verifica-se nos anos sessenta sendo este um período de grande tráfego para as colónias e resto do mundo. Os paquetes "Príncipe Perfeito" e "Infante D. Henrique", da Companhia Nacional de Navegação e da Companhia Colonial de Navegação, respectivamente, ilustram não apenas o crescimento da frota mercante portuguesa em termos de número absoluto, como também ao nível do conforto e sofisticação técnica.

Esse crescimento verificou-se, não apenas no transporte de passageiros, mas também no aparecimento de enormes navios de carga e navios-tanque, sendo o "Neiva", um dos maiores navios portugueses de sempre.

O desenvolvimento da aviação comercial e a perda das possessões de África, aliados a condicionalismos nacionais e internacionais, vão provocar na década de setenta a perda de importância das companhias de navegação portuguesas verificando-se a fusão de algumas delas.

Em 1985 o Governo procede à liquidação das últimas grandes companhias - a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos e a Companhia Nacional de Navegação.